E, então, ela chegou. Desta vez, tocando a campainha e trajando uma de suas melhores vestes. Um vestido fino, róseo, cobria o corpo dela que era bem-vinda aos meus olhos. Encantado, a peguei pelas suas mãos macias e finas e levei até o meu quarto frio e escuro. Despida de qualquer pudor, como quem aperta o gatilho, se despiu e, nua, me seduziu. Lá estava eu, com o som da campainha na cabeça, enquanto a ouvia dizer palavras assustadoras sentindo seu hálito doce como o de uma flor. Eu estava ali, atônito, com as luzes do meu eu interior acesas, porém ofuscadas por tamanha sensualidade e timidez. Quem sou eu? Quem seria ela, que roubou de mim tal luz que refletia pela janela o tom rosado de seu vestido e da minha vergonha. Suas mordidas em meus lábios faziam sangrar minha honra, enquanto uma hemorragia de culpa invadia os fios do meu cabelo caindo sobre seu corpo nu, desenhando, assim, a palavra, em um idioma que, não sei porque, conseguia entender. Depressão, era seu nome, tatuado em suas costas, nas quais tocava forte enquanto chegava ao ápice do meu prazer doído. Corroído, olhei para o lado e ainda a vi, mas já não mais a tocava. Ela se fora e eu nem havia visto. Como se eu tivesse quisto, ejaculei de prazer sobre a cama inundada de sangue róseo, como o do vestido da mulher-depressão.
Balão Surpresa
Há um ano as coisas da minha vida mudaram completamente.
Dia 05/03 tudo começou a ficar bom em Juiz de Fora.
Dia 11/03 um convite encheu meu coração de alegria.
Duas semanas mais tarde e aí as coisas ficaram realmente ruins.
Dia 27/04 fui para Muriaé viver uma vida inteira em 5 dias.
Dia 01/05 voltei a Juiz de Fora com o coração na mão.
Dia 18/05 decidi assinar minha própria queda, pensando que seria minha ascensão.
Quando falo que as coisas poderiam ser diferentes hoje, é porque eu realmente queria que elas fossem.
Se eu pudesse mudar a ideologia das pessoas,
Se eu pudesse curar alguns distúrbios,
Se eu pudesse ter tido mais autonomia, mais garra…
Entretanto não posso!
Já não posso mais voltar no tempo,
Não é possível mudar algumas situações.
A única possibilidade se chama adaptação e esperança.
Adaptação a este modo de vida que me encontro (desejo que temporário)
Esperança que as vivências boas sejam projetadas adiante.
Mas se pudesse mudar o que foi consolidado…
Eu tenho um péssimo hábito de contar datas. Sim, eu confesso.
Hoje, enquanto você faz 22 anos, simultaneamente, fazem 2 anos que nos conhecemos no shopping, no dia da exibição 3D de um show do U2 em Juiz de Fora. E há uma semana que venho ensaiando os parabéns, quando me recordo que, nesse mesmo dia, você me disse que detestava “parabéns” no dia de aniversário. “Pra quê? O que eu fiz pra receber os parabéns?”, você dizia. Nunca concordei com esse pensamento, mas devo confessar que ele nunca saiu da minha cabeça, assim como você. :)
Parabéns, Feliz Aniversário, Felicidades… o que for.
E você vai ler e saber que esse post foi feito especialmente pra dizer o quanto você foi importante pra mim durante todo o tempo em que ficamos juntos.
Mas eu não vou me atrever a contar qual é a fórmula do esquecimento. Dessa, me apropriei, usei e patenteei. Adeus, você!
O acidente entre nós se colidiu e cada um foi para um lado; você, deslizou na pista e continuou; eu, despenquei em um penhasco e adormeci com uma dor intensa que me dominou e me abraçou. Não foi a dor do acidente, mas a foi de vê-lo em outra dimensão e não poder tocá-lo mais. Até que resolvi levantar, virar meu pescoço dolorido para frente e ver o Novo Começo me dando as boas-vindas. Acordei do coma e já nem me lembro mais, sequer, do seu sorriso.
Chega um ponto em que o futuro de sucesso começa a ficar distante dos meus planos de ataque e conquista. Vozes contrárias, pouco esperançosas, me rodeiam com suas notas e melodias de pessimismo. Por vezes, titubeio e penso em cair. É aí, exatamente aí, que busco forças e me sinto ainda mais forte! Não há nada nesta terra que possa fazer com que meu futuro seja paralisado; a não ser eu mesmo. Nos céus, há Deus: o maior torcedor da arquibancada! Ao mesmo tempo, o técnico, o pai, a mãe. Deus! Balanço, canto, não me canso. Me desespero! A vontade de correr, gritar, fugir e começar de novo toma conta de mim e inunda meus pensamentos causando uma enchente de esperança. Novamente, a esperança. A fé. Eu posso, perfeitamente, fazer com que meu futuro seja escrito com uma caligrafia robusta, elegante, num papel caro e espesso. Eu posso e quero. E vou. É só uma questão de tempo. Pouco. Tempo.
Aos poucos, os nós, que estavam fortemente apertados, se afrouxam e deixam de ser nós. Uma corda cheia de nós: nossa história. Gradativamente, já não se tem mais relações formadas entre os nós que, outrora faziam com que ela, nossa história, fosse, indubitavelmente, uma história de amor.
Estória de amor?
História de…Amor?
Eles eram - os nós - apertados por uma obsessão que fora facilmente confundida com Amor. Estética. Poética. Tão longe, hoje estamos dos nós, de nós, da nossa história. Eu, sozinho, vislumbro com meu hemisfério direito criativo, um motivo que me faça enxergar minha história sem os nós que você fez. Que nós fizemos.
Corda lisa, sem nós. Desatada, descartada, criada…
Pura, tão pura ilusão de amor.
[…]
E o sorriso ainda fica estampado no rosto. Intacto! Para todo o sempre. Amém.
Sem sombra de dúvidas, estou chegando ao meu limite de autocobrança e frustração. Um milhão de coisas precisando da minha atenção: equações químicas, ligações covalentes, átomos, figuras de linguagem, retas paralelas e congruentes… pessoas esperando por reações químicas que meu corpo, involuntária e ironicamente, não quer reagir. Digo que quero, mas não demonstro. Dilema da couve-flor? De novo? Isso foi tema do capítulo passado. Agora é pressa: corrida contra o tempo. Estou perdendo a partida, ficando pra trás, enquanto o tic-tac do relógio martela em meu ouvido como se fosse um estrondo de um relógio oriental. Preciso me reorganizar e fazer com que eu vire o jogo, alcance o lugar vitorioso pelo qual me dispus a chegar. Motivação? Sim, falta. Mas, descobri que motivação a gente é quem cria. Espia e copia. Mas não cola. Não posso colar. É vestibular. Correndo contra o tempo, sem tropeçar, sem tempo pra respirar, me mergulho na sopa gástrica da criação do Universo e me vejo lambuzado de termos, átomos, fórmulas, métodos, técnicas…
Eis que se aproxima o monstro: ENEM.
E, confesso, estou gelando de medo. Congelando. Arrepiando. Apesar de pouco estudando. Ôh, vida!
Eu só queria que estivesses aqui comigo, debaixo do cobertor, olhando nos meus olhos sonolentos e insistindo pra que eu levante e faça a pipoca, ou levante e troque o filme. Só queria sentir teu cheiro, teu abraço, teu leve toque… o brilho no teu olhar me ofuscar, me deixar sem reação; até que eu me renda e confesse o quão entregue estou a ti.
Sentindo como se nada fizesse sentido. Eis a depressão, que se instalou, devastou e apagou a luz que já não brilhava tanto. Onde estou? Perdido em mim mesmo, num vazio aparentemente impreenchível. Horrível. Mesmo assim, ainda estou de pé e assim ficarei, me cansarei, mas não desistirei.

Desorganizado, irresponsável, frustrado, mas não vencido. Travei uma batalha contra mim mesmo. No fim, o vencedor serei eu: de qualquer modo! Sentarei em meu próprio trono por pura honra e merecimento até o meu último fôlego de vida. O controle remoto voltará para as minhas mãos e assistirei o canal que eu quiser, pelo tempo que eu quiser, na cor que eu quiser. Com armas forjadas, travo a batalha!
E quando te olhei pela primeira vez, tive a certeza de que seria pra sempre. Por um bom tempo, havia me esquecido de que “sempre” sempre dura algum tempo. E nós não duramos o suficiente pra sermos inesquecíveis; pra mim, não houve um ponto final; talvez seja um ponto-e-vírgula. Um ano depois, ainda sinto o teu cheiro, teus braços colados nos meus, teu peito quente me abraçando, teus lábios macios e às vezes ressecados pelo frio. Ainda estás preso em meus pensamentos, minha estante de memórias. Boas, somente. Nada do que fizeste me machuca mais. Cicatrizes curadas, traumas superados, estou novo de novo. Novo de novo pra te dar todo o meu amor. De novo e de novo.
É que, às vezes, é tão mais cômodo te esquecer do que lembrar de tudo o que vivemos juntos, pensamos juntos, planejamos juntos. Um dia, ainda nos veremos; nessa vida, ou na outra, e daremos risadas juntos de tudo o que passou. Mas, por hoje, é mais cômodo te esquecer, até que eu veja, em mim mesmo, o meu amanhecer.
O que me é restrito me seduz, me instiga, meu ego briga! Não pode, não pode, não pode! Quem disse? Onde estão as Leis? Onde estão as Regras? Mostre-me! Mas eu não aceito livros antigos encontrados nos arredores do Mar Mediterrâneo como resposta. O restrito me seduz, me instiga, minha curiosidade grita. Mas há um limite. E esse limite vai de mim a você. No que te agredir, impedir, banir, e não sorrir. É o velho clichê com uma pequena dose de prolixidade: “meu limite vai até onde começa o seu”. Mas o seu me seduz, me instiga, meu ego briga! Ah, se briga! Hehe.