
Outra vez, a dor me caça, me enlaça e passa. Mas há momentos em que ela se intensifica, fazendo com que lágrimas sejam somente a menor expressão de tamanho sofrimento. Meu olho molhado por cada gota da dor tenta procurar espaço dentro de mim mesmo pra fugir. Pra onde? Por quê? Não sei. Não quero saber. Não quero esquecer. Superar já virou passado, porém, um passado amarrotado, daqueles iguais aos que passamos o ferro de qualquer jeito numa roupa recém-lavada. Me cansei de ser quem não deveria, de ceder aos meus próprios impulsos, de sofrer a dor antiga, de me permitir cantar o cântico da solidão e do terror de ter sido deixado. Minha metodologia para evitar o sofrimento já não é eficaz, prendo-me num quarto escuro enquanto escoa dos meus olhos cada partícula de serotonina que já não consegue me deixar feliz, me arrancar um sorriso… Não vejo a hora de acordar, sentir-me novo, limpo do velho, do sujo, do amarrotado, do usado, do maltratado. No espetáculo da minha vida, o drama é o protagonista. E ele sorri, mesmo com o coração partido. Ele sorri. Lindos sorrisos, contagiantes, emocionantes, deslumbrantes. Entretanto, nem um pouco reais. Novamente, pulo do trampolim e caio de mergulho nas lágrimas de sangue que os olhos do meu coração não se cansam em soltar. Litros de dor sem uma causa aparente, um motivo sólido: a não ser da sensação de solidão, mesmo perdido entre uma multidão. Desistir do meu peito, desistir de respirar, de participar desse mundo que já não mais me deslumbra tanto. Correr, desfalecer, morrer. Por quê? Óh, céus, por quê??? Ainda não estou pronto para saber.
Eu sou daqueles multipolares que dizem gostar de couve-flor, mas não gostam tanto assim. Quando alguém me serve, olho pro prato, sorrio agradecendo, mas hesito em comer feliz até o fim. Se assim o fizer, o gosto será como o de fel descendo pelo meu esôfago, cortando o meu orgulho e minha própria necessidade de escolher e de não frustrar as pessoas. Couve-flores, ideais, amores… faço deles fugazes demais em uma fração de segundo e isso é terrivelmente assustador. Um fantasma assoprando em meu ouvido, ditando as regras da minha própria existência quando eu, simplesmente, poderia ter dito: obrigado, mas eu não gosto de couve-flor.
Às vezes tenho a impressão de que o medo é um sentimento inútil. Se ele fosse de todo útil, não nos faria perder chances únicas, oportunidades extraordinárias que o tempo jamais nos proporcionará novamente. Sou uma pessoa medrosa por natureza. Mente ansiosa, com medo do futuro, do presente e do passado. Com isso, quero dizer que perco oportunidades de ser mais feliz a todo instante. Mas, juro: não é minha culpa. Luto, corro, morro, mas não venço! Um passo de fé em direção ao abismo do futuro é a chave, mas quem disse que o medo me permite querer saber o que há do outro lado?
Sentir que um milhão de sensações passam pela sua pele enquanto a sua mente tenta criar uma estratégia para resolver tamanha confusão. Caminhos, escolhas, decisões… todas essas palavras causando uma náusea em seu estômago, a cada vez em que você tenta planejar os próximos passos da sua vida. Oh, Deus, que invade o pensamento de seus filhos e os esclarece, me dê forças para domar tamanhas feras em meu interior! Eu, que sou tão pequeno diante de tamanha bravura! Meu espírito inquieto anseia por uma resolução matemático-sentimental-futurística de tal equação de decisões. Mas ainda não sinto nada. Ainda que veja parte do meu braço roída enquanto a ampulheta da vida se completa vagarosamente, todavia ferozmente. Entrelaçadamente, me esvazio e encho. Retorço e me esforço! Tamanho desgosto!!! Oh, Deus, atenda a minha prece para que o veneno da minha alma não ofusque a visão de minha realidade vindoura! Oh, que drama tamanho! Eu, que tão sensato sou, me perco em minha própria insensatez, fugindo da responsabilidade de decidir entre mim e mim!
E então, percebi que quem deveria chutar a bola do passado era ninguém menos que eu. Sozinho. O pênalti era meu. Só que a intenção não era chutá-la para o gol, mas para outra dimensão… para a dimensão onde ela já deveria estar: a do passado! Já estamos em outra estação, o inverno passou e agora o calor do sol já pode esquentar a minha pele, fazer meus olhos brilharem… ainda que venha o frio, as lembranças desse passado não irão mais me cobrir enquanto meus queixos batem ininterruptamente, como era de costume acontecer em tempos de outrora, quando sentia frio. Agora, enquanto fizer sol, minha pele absorverá dele as energias do novo, do vivo… não do passado morto, morno, que já deveria ter sido esquecido, vencido. Essa é a lição de hoje! Acordei sentindo meu coração bater e pude perceber que ele anseia fortemente por algo novo. Meu coração quer ser amado, cuidado, tratado e curado… E, ainda que eu esteja só e me lembre do passado, ele já não me causará dor alguma. Porque o que mais me doía era a sua presença conturbada e sofredora que eu insistia em manter perto de mim. E meu coração não quer esperar… Não é hora de decepcionar. É hora de me entregar, cantar, sonhar… não mais o passado, mas o futuro que me espera reluzente, calmamente, esperançosamente, amorosamente… E o juiz apita: é hora do pênalti decisivo! Nem um segundo a mais, nem um a menos. É pra agora! Estou sozinho no estádio. E eu não vou perder essa oportunidade. Não vou!!! Que esse passado fique enterrado na dimensão do esquecido e vencido. E que o presente do presente me encha os olhos com as novidades e novas aventuras que ele irá me proporcionar enquanto houver fôlego de vida em meu peito.
“Pagar pra ver o invisível e depois enxergar que é uma pena: mas você não vale a pena! Não vale uma fisgada dessa dor! Não cabe como rima de um poema de tão pequeno.
De repente, cai o nível e eu me sinto um imbecil: repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado, o velho texto batido dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos e o terror de ser deixado. Cutucando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida.
E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer que é uma pena: mas você não vale a pena!”
Maria Rita

Pois é, chegamos até aqui! 31 de Dezembro de 2011! O último episódio desse ano está quase terminando e eu queria que tirássemos, juntos, esse momento para olharmos para trás e vermos o que fizemos durante esses 364 dias. Se foi o melhor ano da sua vida, que bom!!! Se foi o pior, eu torço para que haja em você esperança o suficiente para acreditar que em 2012, a história se reverta ao seu favor!
Todos nós passamos por dificuldades, alegrias, incertezas, aventuras nesse ano que, de uma forma ou de outra, nos fizeram mais maduros. Agora, não somos mais o que éramos no início de 2011. A vida cobrará de nós muito mais maturidade, mais compromisso e mais felicidade. É! Isso mesmo: FELICIDADE! Todos os caminhos que passamos devem nos conduzir a este destino final, a felicidade. Se o que fazemos não é com a finalidade de sermos e fazermos felizes o que nos rodeiam, nossa passagem por essa vida é vã. Então, que em 2012, sejamos portadores de felicidades! Sejamos vasos transbordando amor, alegria e riso! Ainda que nada conspire ao nosso favor, que haja sempre em nossos lábios, o sorriso da esperança! Que em 2012, possamos desatar os nós do passado, afogar os erros, mágoas, decepções e frustrações no mais profundo mar e deixar emergir dentro de nós o fardo suave do aprendizado que esses erros nos trouxeram!
De todo o meu coração, desejo que cada episódio de 2012 tenha um final feliz em sua vida! Mesmo que haja momentos em que você, protagonista, tenha que sair de cena para se recompor, eu desejo que no fim, o espetáculo supere sempre o que muitas pessoas que estão sentadas na plateia, eufóricas para vê-lo triunfar sobre as dificuldades esperavam!
A você, a sua família, aos seus amigos, aos seus inimigos, eu desejo: FELICIDADE! Essa simples palavra, no meu coração, é o quociente final de uma vida com saúde, paz e muito, muito amor.
Obrigado pelos bons momentos que passamos juntos aqui no Facebook esse ano. Obrigado pelas palavras de consolo e motivação, pelas piadas e vídeos engraçados que me mataram de rir, pelas indiretas que me fizeram olhar pra mim mesmo e enxergar erros e defeitos que eu mesmo não conseguia enxergar…
Vocês fizeram parte, de uma forma ou de outra, de cada episódio da minha vida esse ano! Tenha sido ele feliz, triste, louco, melancólico ou dramático… vocês são parte disso! Obrigado!
Feliz ano novo! Feliz 2012!
Eu não sou desses que enrolam. Detesto os meio-termos, o morno… pra mim, ou é frio, ou é quente. Mas também não precisa ser frio demais, quente demais. O excesso enjoa. Gosto de ir aos poucos, mas também gosto de, num mergulho só, fazer as melhores (ou piores) coisas na minha vida. Por exemplo: se eu amo, assim o faço intensamente. E é, eu amo. Ainda amo. Admitir isso não faz com que as coisas mudem, nem com que você mude, mas faz com que a minha percepção sobre elas se aperfeiçoe. Eu confesso o sentimento que reprimi, suprimi, eximi, mas não extingui. Eu cansei de esconder, de mentir pra mim mesmo, de me enganar pra me sentir mais forte. Mas desisti. Eu ainda te amo e cada parte de mim sabe disso. E não importa o que o mundo diga, o que as pessoas pensem, o que você pense: nada do que você fizer ou disser vai mudar o que você mesmo provocou em mim e depois, com o tempo, se arrependeu e fugiu às pressas. Eu sei disso. Há pessoas que acreditam num amor pra vida inteira. Já virei a página, mas, em momentos de loucura e desespero, meu peito grita mais alto que minha capacidade de me controlar. Eu te amo. Baixinho, quietinho, contido, eu quero te dizer: eu te amo. Nada é o mesmo sem você. Gritando, berrando, vociferando, eu quero que você saiba: EU TE AMO.
(É, agora me sinto mais aliviado…)

E aí, quando você menos espera, o mundo desaba de novo. As cores desaparecem, o chão firme já não te segura mais, o que era seguro e certo, perde a razão. Para onde ir? Para qual caminho trilhar? Estar perdido. Saio de cena e vejo a peça da minha vida continuar… e continuar… até que reapareço e faço dela, o melhor espetáculo que poderia ser. Só não sei quando. Não há como saber. Mas não estou só! Uma voz ecoa levemente, suavemente, dizendo, mais uma vez: o sol nascerá de novo; o personagem principal deve voltar ao palco! E logo, pois a plateia eufórica e entusiasmada o espera. Não é hora de andar, é hora de correr! Sair dos bastidores e correr de volta ao palco para continuar o espetáculo! E é pra agora! Porque “o tempo não para”… não para, não. Não para.